terça-feira, 29 de novembro de 2011

Geração perdida

Batiam ainda oblíquos os primeiros raios de sol no Brasil quando chegou a notícia de que Kimi Raikkonen voltará à Fórmula 1 no ano que vem, no cockpit da outra-nova "Lotus".

O campeão de 2007 que, ao que parece, abandonou a categoria máxima por extrema falta de motivação, após algumas capotagens nos ralis, volta do ostracismo. É uma boa notícia. Mas não para todo mundo.

Enquanto isso, pilotos jovens e campeões se acumulam na GP2 e na World Series sem conseguir acesso à tão sonhada categoria máxima. Bruno Senna, Romain Grosjean e Vitaly Petrov, frutos da nova geração, agora têm uma vaga a menos para disputar. Apesar disso, Raikkonen, como prova seu currículo, parece a opção óbvia da equipe. Será?

Senão, vejamos: ainda chamada Renault, a "Lotus" perde em fevereiro sua grande aposta, Kubica, talento em ascensão na qual a equipe apostava não só para conquistar vitórias, mas para desenvolver o carro. Depois disso, o time se afunda em rachas internos.

Kimi, sem dúvida, é rápido. Mas está longe de ser conhecido por desenvolver carros. Muito pelo contrário. Como essa "nova" "Lotus" pretende tornar seu equipamento mais competitivo?

Kimi entra na Fórmula 1 e tira a vaga de um piloto mais jovem. O que isso significa? Significa que esta é uma época negra para jovens pilotos.

O mito do self-made man é uma farsa, todos sabem. Você pode ser o gênio dos computadores, mas se você não nasceu em meados dos anos 50 na costa Oeste dos EUA, você jamais será tão rico quanto Bill Gates (nascido em outubro de 1955) ou Steve Jobs (fevereiro de 1955). Isso porque o desenvolvimento técnico e a abertura econômica para o salto da computação foi restrito a um espaço muito curto de tempo (o início dos anos 70, quando caras que nasceram nos anos 40 estavam morrendo no Vietnã) em um lugar muito específico - o Vale do Silício.

O mesmo vale para pilotos. Os que desabrocham agora, nascidos mais ou menos no início dos anos 90, pegam uma série de dificuldades. A saber:

- não há mais testes privados na Fórmula 1; alguém que entrou na categoria no fim dos anos 90 conseguiu adquirir mais quilometragem no início da carreira;

- a diminuição do crédito disponível na Europa fez crescer a demanda por pilotos bancados por patrocínios fortes, que estão na Rússia, no Médio e no Extremo Oriente, longe do parque esportivo tradicional do automobilismo, a Europa (onde há circuitos mais desafiadores e construtores mais experientes, que forjam melhor um piloto novato).

Vettel (e Kubica) são honrosas exceções no quadro, por um motivo também histórico: eles se aproveitaram de uma janela de oportunidade, entre 2005 e 2006, que permitiu que jovens pilotassem um terceiro carro às sextas-feiras nos GPs. Com isso, ambos atravessaram a arrebentação. Muitos de seus colegas ficaram na praia.

Verdade, a Marussia (antiga Virgin) anunciou o jovem Charles Pic para a temporada que vem. Para isso, porém, o igualmente jovem Jérome D'Ambrosio perdeu seu lugar. Caso alguém ainda duvide que a geração atual está sendo tragada para fora da Fórmula 1, vale lembrar da mais nova contratação da Hispania para 2012: Pedro de la Rosa.

4 comentários:

Humberto Corradi disse...

Daniel

Excelente análise do cenário!

Valeu

Anônimo disse...

Duas pequenas observações:

* Kimi Raikkonen não é um bom acertador/desenvolvedor de carros. E daí? a Renault/Lotus não desenvolveu seu carro durante a última temporada (segundo petrov!)... Se for assim. ano que vem. será que o finlandês notará alguma coisa?

* Pilotos experientes TAMBÉM envelhecem. Pilotos novos, que não pilotam, ficam sem experiência, além de envelhecerem... Chegará a hora em que todos os pilotos disponíveis serão inexperientes e novos?


um abraço,
Renato Breder

Ron Groo disse...

Rapaz... É a primeira vez que me surpreendo com a F1 fora das pistas.
Para mim era o mais improvável de acontecer.
Que seja bem vindo.

Anderson Nascimento disse...

o Kimi Raikkonen é grande piloto, mas euforia a parte deve render alguma coisa em 2013 e não já em 2012. Quanto aos jovens pilotos ficarem de fora da categoria concordo muito com suas palavras. Mas vejo um lado bom nisso. Daqui um tempo é provável quem muitas vagas se abram de uma vez só já que os mais velhos deixaram a categoria.
Abraços!