
A salvação do GP do Brasil, acreditávamos, viria de cima. Só a chuva poderia salvar a prova, última etapa de um campeonato há muito decidido, do marasmo do domínio das Red Bull.
No sábado e no domingo, nuvens carregadíssimas orbitaram Interlagos, e não caiu uma gota de água sequer. Ao fim e ao cabo de 71 voltas, foi uma corrida seca em um asfalto seco. Dito e feito, Vettel e Webber dominaram grid e pódio em São Paulo. Mas não nesta ordem o tempo todo.
Vettel, claro, largou na ponta e lá permaneceu, sem ser incomodado. Até que, pouco menos de vinte voltas completadas, ouve-se o rádio da Red Bull dizendo que Vettel tem problemas de câmbio. A diferença entre ele e Webber diminui, este passa o companheiro, e dispara.
O normal seria o problema fazer Vettel ser tragado pelo pelotão. Não é o que acontece. Ele escolta o companheiro até a quadriculada. Com isso, Webber, que estava na briga pelo vice, com Button, Alonso e Hamilton, chega ao terceiro lugar no campeonato - um ponto à frente do espanhol, quarto. Jogo de equipe. Claro, mas disfarçado. Ironia suprema, a equipe que não deixou os pilotos inverterem posições no ano passado - e por isso conquistaram o campeonato - agora lançam mão do artifício.
Atrás dos imbatíveis Red Bull, a prova não foi de todo em vão. Houve brigas entre Alonso e Button, toque entre Schumacher e Bruno Senna, provas de recuperação, abandonos (Hamilton, este sim, traído por seu câmbio). Agitado, até, para um fim de semana do qual não se podia esperar muito.
Mas o assunto, mesmo, será o jogo de equipe dos líderes. Detratores da manobra irão erguer o dedo em riste e discursar sobre ética. Muito barulho por nada.
Foto: copyright Getty Images
9 comentários:
E por que você acha que a Red Bull deixou a disputa aberta entre os dois ano passado? Para deixar Sebastian Vettel com chances de vencer, e acabou dando certo.
A Red Bull sempre foi tão corporativista quanto a Ferrari, por exemplo. No modelo de negócios da fábrica de energéticos, Vettel é melhor de ser explorado comercialmente que Webber.
só acho que se quiseram da rum prêmio pra Webber, que dessem sem essa encenação. todo mundo já sabe como as coisas rolam na F1.
Permita-me discordar, Daniel.
Até considero a possibilidade de encenação da Red Bull para a aplicação do jogo de equipe (eu particularmente não vejo, e nunca vi, o 'jogo de equipe' como algo tão "satânico" como muitos dizem ser!).
Ayrton Senna, em 1991, teria ficado apenas com a sexta marcha e venceu o GP. Em outra palavras, Senna adaptou-se à nova situação e seguiu com a McLaren até o final.
Por que Sebastian Vettel não poderia, também, se adaptar à nova situação e levar o carro até o final? O problema de câmbio de Lewis Hamilton foi de natureza diferente daquele do Vettel: o câmbio "travou" em neutro... sobrou para o Hamilton apenas a área de escape. Vettel 'perdeu' apenas 2 marchas.
O comportamento resultante do carro, que sofreu um "problema no câmbio", é dependente de quais marchas foram afetadas. No caso de Vettel, se não me engano, foram perdidas a 2a e 4a marchas.
De fora é fácil - e nem sempre certo - afirmar que houve "marmelada". Admito as duas possibilidades, mas afirmo que a encenação teria uma probabilidade bem menor. O 'jogo de equipe' na F1 nem é mais vetado por regulamento...
um abraço,
Renato Breder
Sobre o episódio do Senna, em 1991, veja o que disse OSAMU GOTO, o antigo chefe [de motores] da Honda, em entrevista à Autosprint (set/2000):
"...
AS: Mas o motor parecia ser excepcional… teve até aquela vitória do Ayrton Senna no Brasil com apenas a sexta marcha…
OG: Há pontos a esclarecer sobre isso: O motor da McLaren não conseguiria ficar com a sexta marcha engrenada e funcionando com menos de 3500 RPM. o motor pararia de funcionar. A curva de torque do motor não suportaria uma aceleração, por mais suave que fosse, em sexta marcha, com o carro a menos de 90 Km/H. A relação peso/potência não permite. O motor pararia de funcionar.
AS: Então o Ayrton Senna mentiu?
OG: Como já disse, estamos falando de uma pessoa que não está mais aqui para se defender.
..."
outro abraço,
Renato Breder
Renato,
Reconheço que escrevi o post logo depois da prova. Pouco depois, também tive minhas dúvidas sobre o jogo de equipe (também não considero que ele tenha sido injusto neste caso, se houve). Inclusive, isso talvez seja o tema do meu próximo post. Valeu pela ontribuição!
Quanto ao caso do Senna, há registros da câmera onboard mostrando que, nas últimas voltas, ele não usava mais o câmbio. Até onde eu sei, em alguma marcha o motor ficou parado. Mas é interessante, essa entrevista do Osamu Goto.
Abraço,
O Ico disse que o problema realmente existia.
Outro veiculo chegou a publicar a leitura da pressão de oleo do cambio da Red Bull do Vettel.
Também tive a impressão de marmelada, mas sei lá. Pra que?
Pessoal, a tal entrevista do Osamu Goto é uma farsa, que foi transformada em "mentira de 1º de abril".
http://blogdocapelli.warmup.com.br/tag/osamu-goto
Daniel,
excelente o seu blog... já o adicionei e vou passar a seguir... ok...
se me permite, gostaria de adcionar a logo do seu blog no meu blog, ok...
abs..
Julio Cezar, valeu pela apuração! A informação não procede, então.
André,
Obrigadão, pode adicionar o logo à vontade, claro.
Postar um comentário