quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Massa e Pironi - um comparativo de duas carreiras

Felipe Massa terminou seu ano dando zerinhos na reta de Interlagos. Não foram de comemoração. Encerraram, sim, um ano aquém de qualquer expectativa.

Seu melhor resultado foi o quinto lugar, obtido nada menos que seis vezes - enquanto Alonso contou uma vitória e alguns pódios.

O dado mais emblemático de Massa é o de, contando aqueles que correram temporadas inteiras, ser o primeiro piloto da Ferrari a não conquistar um pódio em um ano desde Didier Pironi, em 1981.

Mas equiparar ambas as atuações, de Massa (2011) e de Pironi (1981) apenas pelos pódios (não) obtidos é uma redução emburrecedora. Os números nem sempre fazem justiça ao talento - principalmente ao de Pironi.

O francês teve um ano atípico em sua meteórica carreira. Em 1981, ele havia acabado de chegar na Ferrari. Villeneuve era mais que um primeiro piloto: era um ídolo e um amigo pessoal de Enzo Ferrari. Isso não impediu que ambos, Gilles e Didier, estabelecessem uma relação pacífica.

Pironi teve um início de ano ruim, com posições de largada sofríveis, enquanto se adaptava à Scuderia. Nas corridas, muitas vezes, compensava. No GP de San Marino, partindo da terceira fila, chegou a liderar 32 voltas antes de seus pneus se desgastarem e o jogarem para o fundo do pelotão. Foi uma exceção. A partir do meio do ano, porém, começou a largar mais próximo de Gilles, e não raro à sua frente (na batalha do grid, Villeneuve ganhou por 10 x 5).

Em duas corridas, Pironi foi um real candidato à vitória: Na Bélgica, quando liderou as primeiras voltas, e na Grã-Bretanha, na qual abandonou cedo, vítima de seu motor, antes de os ponteiros se envolverem em acidentes.

Seu melhor lugar foi a quarta posição no GP de Mônaco, em uma de suas provas mais difíceis: mal instalado em seu cockpit, bateu três vezes nos treinos e só conseguiu tempo para largar em 17°. Foi um sobrevivente de um percurso que poucos completaram.

Colocando em perspectiva, o ano de Massa está ainda muito distante do de Pironi. Há mais tempo que Alonso no time, não liderou senão nas voltas residuais de pit stops e largou poucas vezes à frente do espanhol (15 x 4 para Alonso). Salvo engano, não leva de 2011 grandes corridas de recuperação como os GPs do Canadá e da França foram para Pironi em 81.

Em 82, o francês viveria um ano de grandes êxitos até sofrer o grave acidente de Hockenheim, que o afastou para sempre da Fórmula 1. O que será de Massa em 2012?

2 comentários:

Ron Groo disse...

Creio que Massa chegou ao mais fundo que podia. Ele tem talento, não dá pra negar. Agora é só subir. Não sei até onde, mas subir.

Anônimo disse...

Mais recentemente, 1992, Capelli também não saboreou champanhe pela Ferrari. Sei que não fez as ultimas 2 provas, mas mesmo assim...