Em um terreno que parecia perdido para os alemães, os franceses voltam a se insinuar. Não falo aqui dos rebeldes de de Gaulle durante a Segunda Guerra. Este campo de batalha é a Fórmula 1.Sem um piloto pátrio desde que Grosjean (apesar de suíço, corre com superlicença de lá) perdeu seu posto na Renault, em 2009, a França deve alinhar ao menos três pilotos em 2012: Grosjean (de volta), Pic e Vergne. É um avanço. Mas muito tímido.
Houve um tempo em que a terra de Napoleão produzia pilotos para a categoria como Bordeaux produz vinho. A "vague française" começou no fim dos anos 60, com Jean-Pierre Beltoise e Servoz-Gavin, e se estendeu até meados dos anos 90.
Tomemos o ano de 1994: Jean Alesi, Philippe Alliot, Paul Belmondo, Eric Bernard, Eric Comas, Yannick Dalmas, Jean-Marc Gounon, Franck Lagorce e Olivier Panis (foto, na Austrália, pela Ligier) correram em algum momento da temporada. Nove pilotos, no total - isso sem contar Olivier Beretta, monegasco.
É uma lista que, obviamente, impressiona mais pelo quantitativo que pelo qualitativo. Só Alesi e Panis são nomes dignos de menção, sendo que os outros ou estavam em fim de carreira ou eram profissionais sofríveis.
A questão é que 94 é um ano-chave para se compreender a presença francesa. Naquele ano, fim da era Mitterrand, a petrolífera Elf foi privatizada e retirou seus petrofrancos do automobilismo.
O país deve muito de seus bons pilotos à ex-estatal, que manteve um programa de talentos bem estruturado durante décadas e financiou o desenvolvimento de Jacques Laffite, René Arnoux, Patrick Depailler, Jean-Pierre Jabouille e tantos outros.
Como se isso não bastasse, a indústria do tabaco francesa, principalmente a Gitanes, era uma patrocinadora sempre presente. Num panorama desses, espanta que apenas Alain Prost tenha se sagrado campeão.
Em janeiro de 1993, porém, uma lei proibiu propaganda de álcool e tabaco em eventos esportivos, o que diminuiu o interesse dos tradicionais financiadores.
Quando a Elf se foi, pouco sobrou. Panis era o que de melhor havia saído da última geração e, apesar de promissor, nunca mais foi o mesmo após quebrar as pernas em 97. Mesmo assim, manteve-se na ativa até 2004. Não deixou sucessores.
A França tem uma história errática no automobilismo. Apesar de força tradicional, demorou a encontrar vencedores. Jean-Pierre Wimille, talvez o melhor de sua época, morreu meses antes do GP da Grã-Bretanha de 1950. Só dois GPs tiveram vitória francesa nos anos 50, e nenhum nos anos 60. O país conta apenas um campeão na Fórmula 1.
O Brasil, em comparação, teve mais sorte. Sem um programa sério de desenvolvimento, forjou três campeões em um espaço relativamente curto de tempo. Isso de forma alguma é um alento. Se a França perdeu toda a sua representatividade - e até o seu GP -, os brasileiros podem considerar seriamente a hipótese de não ter conterrâneos no grid da Fórmula 1 em 2013. Ah, se podem.
3 comentários:
Sinceramente? Com estes três eu não sei se dá pra chamar de avanço...
Cenário nebuloso para o Brasil na F1. Mas ainda acredito no talento. Os fora-de-série sempre dão um jeito de chegar lá.
Valeu
Concordo com Ron Groo, e com Humberto Corradi.
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