A notícia não é exatamente uma novidade. A disputa entre James Hunt e Niki Lauda pelo campeonato de 1976 ganhará em breve as telas de cinema.O longa, batizado de "Rush", em fase de produção, é arquitetado pelo roteirista britânico Peter Morgan e será dirigido por Ron Howard, notório fazedor de blockbusters. À frente das câmeras, Daniel Brühl deve interpretar o piloto austríaco. Cogita-se que Russel Crowe também integre o elenco.
Não é por que o roteiro saiu da pena londrina de Morgan que deve-se esperar que o tom do filme seja mais favorável a James Hunt. Pelo contrário: a esposa de Morgan é amiga de Niki Lauda, e do encontro com o tricampeão que ele pensou em levar o fatídico ano para as telas. Lauda atua como uma espécie de consultor do projeto, contando a sua versão da história.
Morgan também não é grande fã de automobilismo. Contudo, tem se especializado em criar roteiros a partir de fatos reais, como "A Rainha" e "Frost/Nixon" - este último, também dirigido por Howard.
O diretor, americano, tem larga experiência em produções milionárias notáveis pelos efeitos especiais - como "Apollo 13". Costuma seguir a cartilha do cinema comercial e não ousar demais. Talvez por isso seja tão constantemente indicado ao Oscar.
Em entrevista à Autosport, em agosto do ano passado, Howard dá a entender que "Rush" seguirá pelo mesmo caminho. Ele sabe, claro, que os fãs da categoria costumam exigir reconstruções minuciosas e realistas em produções cinematográficas, especialmente em relação a histórias reais.
Naturalmente, uma das grandes expectativas será a representação do acidente sofrido por Lauda em Nürbrugring, naquele ano, e que determinou o rumo da temporada. Levado ao hospital à beira da morte, o austríaco voltou a correr após apenas três GPs e perdeu o campeonato para Hunt por apenas um ponto.
A corrida final, no Japão, não é menos hollywoodiana. Lauda a abandonou deliberadamente devido à chuva que assolou o circuito de Fuji, preferindo não se arriscar a sofrer mais um acidente grave.
Resta saber se o James Hunt do filme terá sido inspirado na biografia de Tom Rubython, lançada no ano passado. "Shunt: the Story of James Hunt" revela, entre outros detalhes picantes de sua carreira, que, antes da corrida que lhe daria o título, o piloto paticipou de orgias com mais de 30 aeromoças da British Airways em um quarto de hotel em Tóquio.
Foto: James Hunt recebe a bandeira quadriculada em primeiro lugar no GP da Grã-Bretanha de 1976, em Brands Hatch. Ele seria desclassificado posteriormente, por ter trocado de carro entre a primeira e a segunda largadas.
4 comentários:
Só uma coisa, o cara que escolheram pra viver o Lauda é bonito demais pra ser o cara...
Mas tô ansioso pra saber se vem por ai outro Grand Prix ou, Deus nos proteja, outro Driven...
Eu não acompanhei essa temporada e até por isso estou na expectativa para ver o filme. Espero que seja bom.
Abraços.
a história de todo o campeonato é ótima, mesmo além dos GPs da Alemanha e do Japão. vai ser difícil o roteirista conseguir estragar.
eu aposto que vão utilizar a filmagem amadora (16mm? super 8?) feita do acidente por um garoto de 15 anos de idade.
é um excelente documento visual daquela temporada, e por ser visual permite que seja integrada ao filme, mesmo que este não seja um documentário, há algumas possibilidades de fazer essa integração através do roteiro.
embora em "Apollo 13" o diretor não tenha utilizado nenhuma imagem documental - não me lembro ao certo, talvez só a foto do módulo danificado tirada pelos astronautas quando o abandonaram no espaço tenha sido usada no filme.
Como podes imaginar, ando a acompanhar com natural curiosidade e muita expectativa as novidades sobre este filme. Porque, afinal de contas, fala-se sobre a temporada em que nasci e o acidente de Lauda aconteceu vinte dias após o meu nascimento. Sei que o realizador e o argumentista são pessoas competentes, mas falar sobre um piloto que viveu para contar a história e outro com fama, mas infelizmente já não faz parte deste mundo, completamente antagónicos na maneira de estar, mas não inimigos, vai ser complicado de os retratar.
Confio neles, mas sei pela minha experiêncoa que de Hollywood se pode esperar alguma fantasia. Não será um documentário, disso tenho consciência.
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