Bruno Senna é sobrinho de Ayrton, mas não foi contratado pela Williams por causa do seu sobrenome. Bruno Senna demonstrou ter talento, se não abundante, ao menos razoável, mas não foi por isso que Grove o escolheu.A razão de ele ter ganhado um cockpit para chamar de seu em 2012 é elementar: grana. A Williams precisa muito de alguém para acertar seus carros e para tirar leite de pedra, mas precisa mais ainda de dinheiro, de forma que nem Sutil, o processado, nem Barrichello estarão com seus capacetes a postos em Melbourne, em março próximo.
Falando de grana, eis o fator mais interessante de seu contrato. Senna é bancado não por alguma empresa familiar ou por alguma assistência do Estado para pagar o aluguel, mas por um esforço de Ai que Bastista, bilionário e celebridade, em parceria com marcas poderosas da iniciativa privada.
É algo que lembra muito remotamente os tempos de Emerson "Café do Brasil" Fittipaldi. Mas Emerson chegou na Europa mais apoiado por seu braço do que por sua conta bancária.
EXEMPLO ASIÁTICO
O financiamento da vaga de Bruno Senna parece mais relacionado a outras iniciativas recentes do exterior: Alex Yoong, Narain Karthikeyan/Karun Chandhok, Vitaly Petrov, Ho Pi Tung e tantos outros.
Todos estes parte de um projeto de desenvolvimento mais ou menos claro de seus países, capitaneados pelos Estados ou por suas elites - respectivamente, Malásia, Índia, Rússia, China. O que o empresariado brasileiro fez com Senna é uma prática mais ou menos consolidada entre tigres asiáticos e Brics, portanto.
Estranho que, dos países supracitados, nenhum deles tenha a sombra da tradição automobilística nacional. Talvez por isso estes tenham adotado uma estratégia comercial articulada para colocar um piloto local no cenário nacional muito antes do Brasil pensar em adotar tal recurso.
Por outro lado, uma vez que estamos nos vendo, pela primeira vez, na obrigação de copiar outros emergentes, seria o caso de nos perguntarmos: será que o talento já não é mais condição suficiente para se encontrar uma vaga na Fórmula 1? Ou será que não há mais brasileiros com currículo suficiente por aí?
A vaga de Bruno Senna na Williams é um esforço, ao que parece, puramente privado, o que o torna um pouco diferente dos casos citados acima. Mas só um pouco, porque, indiretamente, a iniciativa pode ser vista como a construção de uma nova imagem do Brasil no mundo. Um Brasil que não quer ficar para trás. O problema é que, no automobilismo, já está ficando.
4 comentários:
Ainda há algumas coisas para se saber e o principal é a duração do contrato.
Se [e de um ano só ou de três como aventaram por ai.
Mas no mais, concordo com tudo que disse.
Bom, eu tendo a fazer a balança pender um pouco mais para o lado emocional. Portanto, consigo visualizar um certo critério pessoal por parte de Frank Williams na contratação de Bruno. Honestamente, creio que tanto Sutil quanto Barrichello levavam vantagem na questão financeira. No aspecto técnico, inegavelmente levam vantagem - ao menos pelo que Senna demonstrou até aqui.
Frank já deu algumas declarações bastante melancólicas a respeito do fato de Ayrton ter falecido guiando um de seus carros. Pessoalmente pode ter sido uma tentativa de o dono da Williams fazer as pazes consigo mesmo e com um pedaço indigesto de sua vitoriosa trajetória na F-1.
Nunca saberemos e posso estar falando uma enorme bobagem (qualquer comentário a respeito de um Senna tende a ser viuvez, pachequismo ou ofensa, infelizmente), mas fiquei com esta sensação.
Abs
Acho que o Bruno só terá ate a metade do campeonato para mostrar serviço. Se não conseguir, perde a vaga para o Bottas antes de terminar o campeonato.
Dois brasileiros disputando uma vaga. Tenho uma opinião. Pra Williams não fazia a menor diferença qual seria o nome. Um ficou 476 anos na Fórmula 1 e nunca passou de um coadjuvante. O outro é bom piloto, mas é uma verdadeira incógnita. Quem trouxe mais dinheiro levou! Tanto faz...
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